Tuesday, July 14, 2009

Mais pedaços desta Lisboa bonita bonita

Já aqui manifestei a minha profunda incompreensão no que toca à estranha relação dos lisboetas com os contentores de lixo dos prédios, mas há uma outra lei desta cidade que ainda me perturba mais. É aquela coisa a que eles chamam hora do almoço e que dura, mediante algumas variações, entre as 11h e as 15h30. Tal significa que durante este período, em qualquer tasca espalhada pelas zonas trabalhadeiras da cidade, se quiseres assentar nem que seja uma nalga para beber um cafezinho, uma aguinha ou comer um pastelinho de bacalhau provavelmente não vais conseguir.

É que os donos dos estabelecimentos se tiverem sorte têm a sua clientela fixa e além disso gostam de ter umas mesinhas livres para manter a esperança da chegada de forasteiros. Também não interessa muito a origem do cliente, ou se vai lá todos os dias nos últimos 30 anos, que o dono do estabelecimento e empregados vão tratá-los mal de qualquer das maneiras. Ou porque não pedem o prato do dia, ou porque acabam com o prato do dia, ou porque pedem o ultimo prato da lista, ou porque nunca mais levantam o rabo da cadeira. É assim e faz parte, tal como a vistosa gordura que decora a comida.

É portanto vulgar ver papelinhos A4 pendurados nas paredes dos tascôncios, ou como por cá gostamos de chamar snack-bares, escritos à mão com frases como: 'NÃO É PREMETIDO ESTUDAR' OU 'MESAS ESCLUSIVAMENTE PARA ALMOSSOS E JANTARES'. Se quiseres por a conversa em dia sentadita a bebericar um café terás de esperar até à hora que suas excelencias definirem, ou então bebes no balcão e já vais com muita sorte, 'que eu tenho mais que fazer do que estar a servir-te cafés. Coçar os tomates e tirar a nheca da unha do dedo pequeno por exemplo'. ai o car....

Friday, July 03, 2009

Pedaços desta Lisboa que eu amo (umas vezes mais que as outras)

Eu vivo em Lisboa há 11 anos, parecerá pouco para os lisboetas de raíz, que vendo bem não são assim tantos entre as pessoas que populam este blogue, mas já representa umas quantas horas de calçada portuguesa, carris e senhores do lixo que insistem em fazer barulho a horas de descanso do bom.Nesta minha vivência de mais de uma década na capital do Portugal cabem muitas coisas boas, como a lembrança, já quase longínqua, do bairro alto até às 04h, as tardes cheias de sol no jardim do Palácio Burnay e o dia-a-dia de uma casa de loucos ao Saldanha, entre tantas outras, mas como o que é giro é escrever sobre coisas que não nos dão assim aquele prazer, gostaria de partilhar convosco algumas das conclusões que tenho tirado ao longo dos anos não apenas sobre o lisboeta mas sim essa espécie bem mais alargada chamada habitante em Lisboa. Começo pela Carris:

- Eu sou daquelas pessoas que se vou de metro para algum lado e não fico à porta (porque pronto o metro, sobretudo o lisboeta, não te deixa perto de nada que tenha subida acentuada nas proximidades), apanho um autocarro para chegar ao destino. É claro que esta tendência aumenta se o destino for no alto de uma das muitas colinas lisboetas, se houver uma descida pelo meio, sou capaz de me deixar rebolar sem pedir a ajuda dos amarelinhos. De qualquer das formas, isto tudo é para explicar que sou pessoa que anda nas carreiras da Carris de há uns 10 anos a esta parte e isso pronto, não abona em favor de ninguém, mas dá para perceber um pouco da psique da massa humana desta cidade. Como por exemplo já dá para afirmar com algum rigor científico que, como toda a gente sabe, os autocarros são dominados por velhotes, geração pela qual tenho muito respeito, mas que só atrapalham a vida de uma pessoa. E depois também são os que mais protestam como se tivessem horários que cumprir na sua ida à farmácia ou à mercearia, ou de assentar o rabo enrugado num banco de jardim. Enfim.

Outra das coisas que me faz uma certa confusão é a insistência das pessoas em sentarem-se no banco do lado de fora. Não percebo bem se elas não se querem levantar para dar a passagem, porque julgam que conseguem intimidar com o olhar quem se quer sentar, o que nunca acontece e leva pelo menos a que se levantem várias vezes ou se preferem levar com a nalga da outra pessoa no nariz repetidas vezes. Também há a possibilidade de estarem a tentar poupar no ginásio com tanto levantar e sentar, para combater a prostituta da celulite. Sim, porque pr'aí 90% das pessoas que se sentam no lado de fora nas carreiras, são mulheres.

Toda a gente tem sempre muita pressa quando quer sair do amarelinho. Não respeitam quem está prestes a conquistar o seu lugar na fila para sair. Lá tens de dar um encontrãozinho para ganhar a posição ou passar à frente de mais um velhote, que inevitavelmente vai-te empurrar até pousares o pé na calçada. Qualquer lei pacifista cai por terra nestas alturas. Tornas-te um guerreiro do mais alto gabarito do safanão nestes momentos.

Depois há os condutores da Carris, que ainda não atingiram o nível de besta absoluta dos taxistas mas andam a roçar-lhes as meias brancas dos calcanhares. Quantas vezes não páram nas paragens só porque lhes apetece e depois têm a lata de dizer 'ah, não carregou'. Lá vai a velhota a arrastar-se mais uma paragem com a hérnia a palpitar. E há também o modo como fazem as curvas quando têm o tocarro a abarrotar de malta trabalhadora e mal cheirosa. E pronto, lá vais bater em cheio no tipo com pior aspecto do joint.

Há sempre a questão dos horários e aquele lei macaca que dita sempre que se perdes o tocarro que te põe no trabalho à hora certinha a que queres chegar, estás mais vinte minutos à espera. É contra as pessoas que se recusam a dar horas à casa a Carris.

Sunday, June 28, 2009

Coisas que gosto nos franceses (post inédito, não contar a ninguém)

Tenho-me debruçado muito sobre a questão da depilação, nesta temporada no exílio. Como não tenho aqui a minha estéticiénne habitual, que leva 16 eurecos por perna inteira e virilhame, tenho investigado as possibilidades da depilação caseira existentes no mercado, já que as profissionais daqui são caras como uma puta de Cascais. Foi com agrado que adquiri uma cera quente de frutos vermelhos, que deixa a casa de banho a cheirar a iogurte e foi com ainda mais agrado que descobri toda uma nova técnica de depilação da zona mais intíma de nosso ser.

A veet, essa marca amiga da gaja, tem umas bandas de cera com formatos, de forma a colorir e apimentar mais o nosso Verão. Pode-se escolher entre o ticket de métrô (aquilo a que nós chamamos moicana púbica), o clássico coração e até uma estrela, para iluminar noites e dias de regabofe amoroso com nossos parceiros.

Ainda não usei, portanto não posso dizer ao certo como funciona. Mas lá que é giro, é. E uma boa prenda paras amigas.

Friday, June 26, 2009

Pensos Petit Casino

Choque: em França não há Evax. Tá uma pessoa naquela altura do mês e não tem o conforto de um absorvente amigo, quase um membro da família, que nos acompanha desde a pré-adolescência. Ao invés, temos de subjugar-nos ao poder de pensos de marca branca do supermercado chunga Petit Casino ou do Monoprix, que são ásperos e cujas embalagens contêm apenas uma cor.
Para além disso, tive de comprar o único tamanho que havia: um Extra Plus com 5 pinguinhas, que não está longe, parece-me, de um Lindor Mulher anatómico.


Refiro também que em França já existe o Femme Fresh, esse fantástico produto para a higiene íntima da mulher. Trata-se de um desodorizante para a passarinha, para que as badalhocas das francesas não tenham de lavar-se todos os dias, coitadinhas. Muita água faz mal à flora e à fauna vaginal, dizem elas.

Thursday, June 25, 2009

Ahmadinejad CR7

Uma destas noites, tive mais um devaneio onírico com Barack Obama. Já há tempos sonhei que beijava ardentemente o presidente dos States e que o senhor sabia o que fazia, até sermos interrompidos por Michelle e plas meninas, que não gostaram da brincadeira.

Desta vez, houve um upgrade. Estava com Obama numa espécie de tenda, onde tentávamos dormir, até que o chefe de estado norte-americano me tocou num seio (o esquerdo, por sinal). Reagi e tal, fiz uma cena, armei-me em púdica (ESTÚPIDA) e acabei por sair da tenda, onde estava também um colega de trabalho, cujo nome não vou referir, mas que posso adiantar ser de nacionalidade espanhola.

Cá fora, no meio do mato, está Mahmoud Ahmadinejad, um exemplo clássico que não se deve fazer centenas de notícias sobre o Irão e ver episódios de Lost no mesmo dia.

O presidente iraniano enverga a camisola 7 da selecção e tem um ar amigável e simpático. A conversa flui. Ahmadinejad fala português, com o sotaque que imagino que os iranianos têm quando falam português. De repente, sou uma Marta Leite Castro numa daquelas entrevistas fofinhas que são seu apanágio. Petanejo lânguidamente, sorrio e solto um "Mahmoud, o que o faz feliz?"


Ahmadinejad conta-me que é uma pessoa normal, que tem sentimentos, que acha aquilo tudo em Teerão uma chatice, que gosta muito de Portugal e do Algarve. Manda umas caralhadas recentemente aprendidas na língua de Camões, um "fodaxé, cárralhô" um bocado afrancesado (influência clara da merda de país onde estou) e remata ao dizer que adora pevides, mas que o pistáchio é que é, pá.

De repente, Obama desapareceu, Ahmadinejad ocupa a ribalta de meu sonho e eu fico ali a olhar pa ontem, chorosa por ter desperdiçado mais uma oportunidade de ter um sonho erótico com o presidente dos EUA.

Ainda não foi desta que confirmei se Yes, he can.

Monday, June 15, 2009

Corrida de saltos altos (e nuas)?

Depois de anos a andar de saltos altos pelas ruas de Lisboa repletas de calçadas, liberte-se do stress do dia a dia, orgulhe-se da sua silhueta, traga os seus sapatos altos favoritos e venha correr connosco.

Convidamos todas as mulheres portuguesas a participar na 1ª Corrida de Saltos Altos a decorrer em Alcântara, no Passeio Marítimo de Lisboa (entre o Café In e o Piazza Di Mare), dia 21 de Junho, pelas 16h.

Para concorrer pode inscrever através do site www.lipton.pt/linea ou no próprio dia, no local, e trazer um par de sapatos altos. As primeiras 3 mulheres a cortarem a meta irão subir ao pódio da 1ª Corrida de Saltos Altos e receberão cartões de débito de diferentes valores para poderem gastar onde e como quiserem. A grande vencedora receberá um cartão de débito no valor de 1.000 euros, a segunda classificada 500 euros e a que chegar em terceiro lugar terá 250 euros para gastar.

(Bora? eu posso levar o meu modelito da Amy Winehouse, que é também a única coisa parecida a um tacão que tenho em casa?)

Wednesday, June 10, 2009

Ó tejo, vai pó c********

amanhã tenho casamento. fui ao cabeleireiro, mas o tempo húmido de lisboa transformou minha melena lisa num capacete de carapinha, o que me deixa revoltada e um bocadinho descontente com o senhor coiffeur que leva 723463746 euros por um corte.